sábado, 11 de novembro de 2017

Back to the Nineties 02: Primeiras Lembranças do Super Nintendo


A primeira vez em que vi um Super Nintendo foi mais ou menos assim...


O objetivo com esta nova coluna do blog - Back to the Nineties - é relembrar os jogos que joguei quando criança por meio da memória... Aqui eu busco revisitar estes jogos e momentos, retratando a experiência conforme minha lembrança dessa época. Vamos então ao assunto de hoje, que foi a primeira vez em que vi um Super Nintendo. Aos 7 anos de idade, já órfão do Master System que morreu afogado coisa de um ano, um ano e meio antes, em uma visita à casa de um dos meus tios avós, tive meu primeiro contato com um Super Nintendo. Meu primo na época deveria já estar batendo em uns 17 ou 18 anos e tinha permitido que eu jogasse aquele impressionante videogame à vontade. Qual cartucho estava lá? Simplesmente Donkey Kong Country 2. Em 1997 era um jogo relativamente novo, tendo sido lançado em 1995. Evidentemente eu não sabia disso naquela época, mas aquele momento foi algo especial. Se Alex Kidd no Master System me impressionava, DKC2 foi algo completamente inédito, assim como o próprio Super Nintendo. Aquele sistema de cor clara e seus botões roxos... Cartuchos que podiam ser trocados era algo que eu nunca havia visto até então, pois na época do Master eu só tinha o Alex Kidd da memória, por isso aquela entrada de cartuchos atrás do Super Compact era meio que lendária para mim: eu sabia que os cartuchos existiam, mas nunca havia visto.



Até aquele dia em que meu primo colocou DKC2 para eu jogar. O controle do SNES era de um conforto absurdo, fazia-se sentir natural nas mãos, diferente daquele controlão da Sega que eu conectava direto na televisão. E depois do estalo do botão power, o momento épico da vinheta da Rareware. Nunca eu havia escutado um som tão limpo e real em um videogame: aquilo parecia coisa de filme, e as coisas só melhoraram a cada tela. Por alguns minutos que pareceram horas eu contemplei a tela inicial com Diddy e Dixie contra os Kremlins. E obviamente eu nada sabia desses nomes. Passada a admiração da tela inicial começou o jogo em uma tela estranha para mim: uma ilha vista de longe. Descobri que aquilo era um mapa em que continham as fases do jogo, que começava de fato em um navio pirata. Logo ao começar a primeira fase, mais um momento contemplativo: parecia que estávamos mesmo em um navio! Ele balançava e rangia com as ondas, e aquela música... Fiquei impressionado, realmente.



Esse momento foi épico lá em 1997!
Andando um pouco pela fase, o primeiro inimigo era um rato. E logo nele já perdi uma vida. Lembrem-se de que o único jogo que eu conhecia até então era Alex Kidd, e eu não conhecia esse conceito de pular em cima dos bichinhos. Depois de várias vidas e um game over eu entendi esse esquema de controle, e a satisfação foi enorme, porque assim o jogo fluiu. As coisas iam bem até que eu encontrei um jacaré muito louco dentro de um barril. Aquele bicho me dava um pouco de medo... Mas veio logo o alívio porque logo ao lado tinha a fase bônus com sua música marcante. Mais tarde eu perceberia que músicas incríveis não faltam em DKC2, mas o melhor ainda estava por vir. No meio da fase dei de cara com uma caixa com um rinoceronte desenhado. O que seria aquilo? Pulei em cima dela, e para minha surpresa saiu um rinoceronte e meus macaquinhos montaram ele! A diversão absurda que foi controlar o rinoceronte quando eu tinha 7 anos é difícil de explicar. Mas ficou aquela indignação quando passei pela placa perto do final da fase e ele sumiu...






Na época, achei um absurdo poder ficar pouco tempo com o rinoceronte...






E finalmente passei da primeira fase, com mais uma ótima vinheta ao final. A segunda fase foi ainda mais impressionante pois se passava no alto do mastro do navio, com sua neblina, vento e música de tom épico e um pouco melancólico criando um clima sensacional. Nesse dia me lembro claramente de que não passei dessa fase, mas a partir de então ter um Super Nintendo se tornou uma espécie de sonho, e eu esperaria até no natal de 98 até que finalmente teria meu próprio console novamente. Mas isto é uma conversa para um outro dia.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Análise 67: Gauntlet [Arcade]

Depois de um bom tempo sem novas análises no blog, hoje vou falar um pouco sobre um dos jogos mais influentes da década de 1980: Gauntlet. Desenvolvido por Ed Logg e lançado pela Atari Games em 1985 para os fliperamas, é um jogo de ação com visão aérea no qual temos personagens que podem mover-se livremente pelo cenário eliminando hordas de inimigos pelo caminho, formando um estilo que hoje em dia chama-se hack n' slash, em uma clara alusão às principais ações da jogatina: cortar e golpear.



Gauntlet ajudou a sedimentar um subgênero entre os jogos de ação para jogos que priorizam o combate em relação a outros pontos de uma jogatina. Tal estilo de jogo foi decisivo para a formação de inúmeros jogos com forte ênfase em combate, como por exemplo Dynasty Warriors, God of War, Devil May Cry, entre tantos outros, incluindo até mesmo RPGs como Diablo e Dungeon Explorer. Embora seja considerado fundamental para tal segmento de jogos, o design básico de Gauntlet tem influências marcadas de Dandy, lançado em 1983 para Atari 8-bit. Após um pouco de leitura nas referências da Wikipedia, cheguei a uma postagem interessantíssima do site Atari Protos, que me remeteu diretamente a uma das últimas edições da minha Jornada Atari 2600 aqui no blog. Na edição 27 eu falei sobre um título que me surpreendeu muito positivamente: Dark Chambers, que foi simplesmente como jogar Gauntlet no Atari 2600. Um feito impressionante o Atari velho de guerra rodar um clone extremamente bem feito deste clássico do arcade, marcante mesmo. Eis que surgiu a grande surpresa quando descobri que na realidade é Gauntlet que foi o clone de Dark Chambers. Mas Se Dark Chambers é de 1988, como é que Gauntlet lançado em 1985 poderia ser um clone?





De acordo com os autores do Atari Protos, no ano de 1983 o programador John Palevich desenvolveu o já citado Dandy para os computadores da família Atari 8 bit, sendo um dos primeiros jogos na história a oferecer um jogo de ação cooperativo para quatro jogadores simultaneamente. Em 1985, Ed Logg da Atari Games lançou com grande êxito o então inédito Gauntlet para os arcades, usando Dandy como inspiração para a estrutura básica do jogo, ficando realmente parecido com seu influenciador - mesmo que notoriamente mais complexo. Isto gerou uma ação judicial de John Palevich, que foi resolvida extra judicialmente na época. Ainda segundo o Atari Protos, dizem os rumores que na época o sr. Palevich teria ganho uma máquina original de Gauntlet... Mas é apenas um rumor com alta probabilidade de ser inverossímil, embora seja no mínimo curioso. Alguns anos depois, em 1988, a Atari resolveu relançar o Dandy de 1983 para 2600, 7800 e XE, usando dessa vez o nome Dark Chambers, dando o devido crédito ao criador original John Palevich, e assim não houveram mais confrontações entre as partes... No final das contas, Gauntlet foi o jogo que acabou ficando conhecido do grande público e se tornou a base dos jogos hack and slash por décadas até os dias de hoje, embora a franquia original esteja fora da evidência mainstream.


E afinal, o jogo é bom? O visual de Gauntlet tem um jeito sóbrio que encaixa perfeitamente com o tema de explorar um calabouço e seus labirintos. Os personagens estão bem caracterizados e os inimigos têm um nível de detalhe surpreendente para a época de seu lançamento, e o tempo todo a tela está lotada de inimigos se movimentando sem nenhuma perda de velocidade nas animações. O clima é incrementado pelo áudio com uma trilha de tom soturno e cavernoso, complementada por vozes digitalizadas que trazem toda uma autenticidade para a exploração dos labirintos. Controlar os personagens do jogo é sensacional, com comandos simples e movimentação ágil com um timing perfeito de resposta aos comandos, o que significa que nunca se perde por falha no controle.

 



Aqui é preciso explorar os níveis de um calabouço coletando itens e dinheiro. Além da energia do personagem, é preciso monitorar a fome, gerando um senso de urgência nas ações e pressionando o jogador criando um clima de tensão para cada jogatina. É possível jogar em até 4 jogadores simultaneamente, havendo 4 classes disponíveis: guerreiro, mago, valquíria e elfo, cada qual com um estilo de jogo. Dizem que o modo multiplayer é sensacional, porém não pude jogá-lo. Até este momento consegui testar apenas o single player mesmo pela Midway Arcade Treasures do PS2, e realmente não deu para jogar em coop em casa porque não tivemos tempo ainda, infelizmente. Mas está aqui na lista de títulos a jogar. Gostei muito de jogar Gauntlet e a qualidade técnica do jogo me surpreendeu de verdade, considerando a época. O estilo do jogo não envelhece, e o senso de aventura continua fresco como imagino que deva ter sido em 1985.




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

NostalDia das Crianças


Recebi aqui no blog o convite do ilustre Yoz do blog/canal Gamer Desconstrutor, já bem conhecido no meio retro gaming, para participar da corrente NostalDia das Crianças, que consiste em indicar algum jogo especificamente para crianças de até 12 anos de idade. Eu pensei primeiro sobre os jogos que eu curti ainda na minha época de criança, e foi muito difícil escolher algum título. No final das contas, optei por algo que não só fosse possível indicar, mas sim algo para jogar junto com diversão pura. Eis que me ocorreu Beetle Adventure Racing do Nintendo 64.




Lançado no auge do Nintendo 64 eu me lembro de ter jogado bastante este aqui na casa dos amigos. Trata-se de um jogo de corrida diferente: ao invés de carros de topo como em Need for Speed, por exemplo, aqui controlamos apenas vários modelos de New Beetle. Ou seja, é um desfile de fuscas. Além de um excelente visual, os controles são fáceis de pegar e as pistas são diversificadas e dão asas à imaginação. Com muitas viradas, atalhos e surpresas, uma das maiores diversões desse jogo é voltar para as pistas para ver o que cada uma tem a oferecer, o que não é pouco. O desafio e a diversão de controlar os fuscas fazem com que o jogo demore de enjoar.
Multiplayer absurdamente divertido...

Contudo não é apenas pelo multiplayer e pelas excelentes pistas que esse jogo brilha, mas também por conta de um modo de batalha em arenas - sim, você leu certo. Aqui temos um modo com partidas contra, no qual podemos usar bombas, mísseis e outras armas para atacar o adversário. Esse modo de jogo é absolutamente empolgante, rendendo ótimas risadas. Lembro que quando jogávamos entre amigos na casa de alguém, ficávamos a tarde inteira no modo batalha, fácil, fácil. Pelo fator diversão, por ser um excelente jogo de corrida cheio de segredos a encontrar, e pelo incrível modo de batalha, recomendo fortemente que as crianças de hoje conheçam Beetle Adventure Racing para verem o que é um jogo de corrida de verdade... E os mais velhos também vão curtir na hora se já não conheciam, eu garanto. Com certeza será um cartucho que vou querer apresentar a meus filhos um dia.

Agradeço ao notório Yoz pelo gentil convite a participar da corrente, e espero que mais interações assim se sigam.

As indicações a seguir fazem parte da corrente #NostaldiaDasCrianças, organizada pelo Blog/Canal Gamer Desconstrutor, visando tanto o crescimento do espaço virtual dos criadores de conteúdos gamísticos quanto promover a valorização da família através da aproximação e interação entre a adultos e crianças numa jogatina saudável. Abaixo esta o link de todos os participantes da corrente. Não deixe de conferir o trabalho de todos deles:

Blog Gamer Desconstrutor:https://gamerdesconstrutor.blogspot.com/2017/10/soleil.html
Canal Gamer Desconstrutor:https://youtu.be/5vNLcngkeMU
Posts Antigos do Gagá Games: https://goo.gl/Fr5BBB
Canal SnesTalgia: https://youtu.be/wyFR1_RDxQE
ShuGames: https://shugames.blogspot.com/2017/10/nostaldia-das-criancas-kirby-epic-yarn.html
Inludere: https://inludere.wordpress.com/2017/10/11/as-criancas-e-a-tradicao
PensadorMaskarado:https://www.youtube.com/watch?v=QP1x9Ymc0PQ&feature=youtu.be
Old Magus' Pub: https://oldmaguspub.blogspot.com/2017/10/nostaldia-das-criancas.html
Gamer Caduco: https://gamercaduco.com/2017/10/12/meme-nostaldia-das-criancas/
Central Pandora: https://youtu.be/uwuyjN1pDHY
Canal Retro Level: https://youtu.be/zCcvHQuVct0
Hadoukeando: https://youtu.be/pE7ei-wvJWY
Degustando Jogos: https://youtu.be/2xF5DYlPPn4
AMEBOIDE: https://youtu.be/AqAdfqk1dhI
Ana Lima Store Games:https://youtu.be/xeeYzuCHPTs
Canal 1Player: https://youtu.be/ciZlNkNQtlc
Jogatina Tv: https://goo.gl/ipT1TX
Podcast HQFan: http://www.hqfan.com.br/2017/10/podcast-hqfan-194-games-de-quadrinhos-e.html
Quaniga: https://youtu.be/vjeTWX9MS74
Motas Gameplay: https://youtu.be/N532T1bMPlI
Duca show: https://youtu.be/K15EGuXGPNU
Canal Trocadalho: https://www.youtube.com/watch?v=aCzw9vMoBrw
Calebe Vieira: https://www.youtube.com/watch?v=P4qPVPeMTs4
Satir Gamer: https://youtu.be/u-jZ8fyXpmI
NerD Lendário: https://youtu.be/Jh2YPH7CFQk
Cogumelo Marrom: https://youtu.be/NKYNS51qWOw
Barbao: https://youtu.be/6e2I5akhX5U
Rhada Games: https://youtu.be/_MtycsXtn0E
Rogério Fabri: https://youtu.be/ZfA_2CUyGO8
Tri Force A.G: https://www.youtube.com/watch?v=08n78utPE4Q&feature=youtu.be
VelhosCartucho: http://velhoscartuchos.sonaje.com/2017/10/corrente-nostaldia.html
Portal Musical: https://youtu.be/HKgmBcG0bwI
Midia Prateada: https://midiaprateada.blogspot.com/2017/10/nostaldia-das-criancas-jogos-de-verao.html
Lembra O Game?: https://youtu.be/cqel7ZlB2ps
Jogatinas Saudáveis: https://goo.gl/bdPJ81
Gamer Geração 4: https://www.youtube.com/channel/UC8mHQLqDR136MN2IIdvyUKQ
Canal LAR: https://youtu.be/yYt6SzyKpuU
Ryu Games: https://youtu.be/ZLmlJn7oWDs 
Debatech (Blog): https://debatech.blogspot.com/2017/10/nostaldiadascriancas.html
Debatech (Canal): https://www.youtube.com/channel/UCufF9ADC5G4Yi5-cQ8v9u5g
Mega Tubão: https://www.youtube.com/user/MegaTubao1
Canal Odisseia: https://youtu.be/oxjRRLGN1GY



domingo, 3 de setembro de 2017

Tirando a Poeira

Às vezes pausas são algo obrigatório, mesmo que nem sempre planejadas ou desejadas. Neste último mês ocorreu a maior pausa desde os primeiros meses de 2016, sem uma única postagem há pouco mais de um mês. No trabalho e na vida pessoal as coisas ficaram um tanto apertadas, e portanto fiquei bem afastado do blog, mas tem várias coisas que eu gostaria de publicar por aqui. Por mais que assuntos legais não faltem em se tratando de jogos antigos, nem sempre temos aquela inspiração para escrever e montar uma postagem coesa.

Domingo último foi nossa folga. E o que fazer quando finalmente surge uma folga? Dar uma geral na arrumação da casa, com certeza... Foi um dia bacana pois apesar de não termos tido aquela folga de verdade que há várias semanas queríamos, pudemos passar um dia juntos minha esposa e eu. Foi um dia para reagrupar, conversar sobre nossos planos e nossa vida, simplesmente estarmos juntos para organizar partes da casa que estavam uma bagunça. E também encontrar nossos diplomas que estavam assustadoramente difíceis de encontrar na muvuca que viraram algumas partes da casa.

Foi um dia inspirador para parar e pensar um momento, e realmente acabamos por fazer uma limpeza, tirando a poeira de alguns cômodos. Hoje eu não estou fazendo nenhuma postagem interessante sobre jogos antigos. Estou buscando tirar a poeira do blog, como fizemos em casa no final de semana passado. E assim, espero, que este blog volte à sua rotina de publicações com estas reflexões fora de tópico. 


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Back to the Nineties

Aqui estou começando uma nova coluna no blog. Os textos daqui têm por objetivo relembrar jogos e momentos dos anos 90 que eu vivi na minha infância. Os jogos serão em sua maioria voltados para a própria década de 90, com uma ou outra coisa anterior a isto que eu tenha jogado na época. O objetivo destes posts é relembrar mesmo, levando em conta o impacto que esses jogos tiveram sobre mim naquela época. O tom desses textos tende a ser mais descontraído e não há nenhuma periodicidade prevista para essas postagens. Vou postando conforme der vontade mesmo, sempre que rolar aquela vontade de revisitar essa década tão incrível. 


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 30: Epílogo

Foi um longo caminho desde a primeira edição da Jornada Atari 2600 que começou no início deste ano. Quando publiquei pela primeira vez nesta coluna eu sinceramente não sabia o que esperar destes textos por receio de os jogos de Atari 2600 serem pouco divertidos ou desinteressantes, fazendo com que eu parasse pelo caminho eventualmente. O que aconteceu foi precisamente o contrário, porque mesmo que sabidamente houvessem muitos jogos fracos dessa época, a cada edição eu me surpreendia com algum clássico que eu não havia jogado ainda, isso sem falar nos jogos desconhecidos ou pouco lembrados que se revelaram bons momentos. Fazer uma série de posts jogando todos os jogos do catálogo de um console é algo que demanda tempo e uma boa dose de esforço. Eu, pelo menos, senti uma enorme vontade de parar no meio. Não porque não haviam bons jogos, mas porque vira-e-mexe eu sentia vontade de jogar outras coisas. E como meu tempo livre é bem diminuto, optei por focar mais aprofundadamente no objetivo principal da Jornada Atari 2600 no primeiro semestre deste ano.
 
Boa parte dos jogos eu joguei por menos tempo, fato este favorecido pelo fato de que o design dos jogos era na maior parte baseado em partidas simples estilo arcade. Isso traz uma grande virtude característica do Atari: para se divertir é só pegar e jogar. Diversão irrestrita e sem burocracias, sem distrações. Jogar Atari 2600 é uma verdadeira celebração do que é jogar videogames em sua essência. Pensando por essa óptica, concluimos que muitos avanços nos videogames podem ter muito mais servido para nos distrair da diversão em si. Não estou criticando outras plataformas nem as jogatinas modernas, mas jogar tanta coisa do Atari me fez refletir sobre o que é de fato de divertir com um videogame.

O Atari 2600 não foi o primeiro console de videogame caseiro, mas com certeza foi o aparelho que definiu toda uma estrutura, que apesar de ter mudado em vários sentidos, na verdade continua a mesma em seu cerne. Se um dia tivemos acesso a nintendinhos,  mega drives, master systems e super nintendos... se hoje temos acesso a playstations, wiis e xboxes da vida, é por causa do Atari 2600 que popularizou ao máximo o conceito de um videogame que troca de fitas, novidade esta que os aparelhos de fita anteriormente trouxeram à música e aos filmes. O Atari 2600 é o VHS dos videogames. Foi o aparelho que desbravou o terreno desconhecido do videogame doméstico, levando a diversão do arcade para casa. Logo, foi o console que começou tudo.

Foi um privilégio poder desbravar o catálogo do Atari clássico por meio dos emuladores e escrever aqui foi uma experiência reveladora e prazerosa, sendo esta minha humilde homenagem aos 40 anos desde o primeiro lançamento do Atari 2600. Mas embora esta seja a última edição que escrevo da Jornada Atari 2600, vou revisitar esses jogos com calma, priorizando os destaques de cada edição. Jogando esses títulos como devem ser jogados, curtindo sem pressa e sempre voltando para uma maior pontuação. A todos que acompanharam esta coluna, o meu muito obrigado! E aqui terminamos os textos da Jornada Atari 2600, mas não a jogatina. Não é o fim da Jornada: ela está apenas começando.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Jornada Atari 2600 Edição 29: Depois de 1990... Como fica o Velho Atari?

Na edição de hoje da Jornada Atari 2600 vou falar sobre os jogos lançados de 1990 para frente. Foi um longo caminho, mas aqui estamos, seguindo para o ano de 1990.

Começamos com Ghostbusters II, que é completamente diferente do primeiro: aqui o jogo não tem um estilo muito bem definido, sendo melhor explicado como algo parecido com aqueles trechos de rapel do Battletoads de NES. Os controles são bem ruins e duros, é além disso os gráficos são bem inferiores ao original de 1985. My Golf é uma representação absurdamente monótona de uma modalidade esportiva que considero bastante burocrática... Não recomendado. As coisas não melhoraram com Pick 'n Pile, puzzle de combinações extremamente básico que caberia muito bem no final da década de 1970 no Atari. Eu pessoalmente não gostei deste aqui não... Partimos então para um soco no estômago de quem curte Enduro, chegamos a Fatal Run, jogo de corrida que lembra bastante o clássico da Activision, com visuais muito bem feitos e ótima sensação de profundidade e velocidade. O problema é o controle, que usa o direcional para cima com a função de acelerar. Me surpreendi como esse "detalhe" conseguiu sugar toda a diversão do título.


A safra melhorou muito com Klax. Mais um famoso jogo de arcade que eu não havia jogado ainda, portanto não sei dizer se a versão de Atari 2600 é fiel ao original. Fato é que trata-se de um jogo muito divertido: é um puzzle no qual controlamos uma barra móvel parecida com Breakout, com a qual conduzimos blocos coloridos para formar pilhas de cores semelhantes. A cada três blocos combinados temos um Klax.  Cada fase pede um número de Klax a serem formados, e a dificuldade logo fica desafiante. Um puzzle diferentão e envolvente, foi uma grata surpresa. Se a versão de 2600 é legal assim, fico imaginando a versão de Arcade... Depois de Klax, o nível dos jogos caiu muito, então vou buscar ser objetivo com os próximos. MotoRodeo é um jogo de corrida com visão lateral lembrando ExciteBike mas completamente quebrado. Sentinel surpreende por ser um jogo de light gun, no qual precisamos da arminha. Portanto, não consegui emular a experiência original do jogo, por isso vou dar a ele o benefício da dúvida e não emitir uma opinião. Xenophobe é um shooter lateral estilo Rolling Thunder, mas realmente esse tipo de jogo não rola no Atari 2600. É quase injogável.

Depois de 1990, o Atari 2600 passaria por um hiato em 91, retomando em 1992 com um único jogo: Acid Drop. Mais um puzzle de combinações à-la Tetris, aqui é preciso combinar peças de três partes com suas respectivas cores. Como regra desse tipo de jogo, é até divertido mas passa longe da qualidade de um Tetris ou Columns da vida. Mesmo assim é um bom passatempo. Por muitos anos este seria o último jogo de Atari 2600.


Na falta de um Tetris, Acid Drop se sai muito bem no Atari.

Pick Up é polêmico, mas divertido.
Em plena geração 128 bits com os GameCubes, Dreamcasts, Xboxes e PlayStations da vida, de forma inesperada temos um outro lançamento para este console. Pick Up é  um jogo no mínimo engenhoso. Ele tem uma estrutura semelhante a jogos de tiro, porém ao invés de destruir inimigos, atiramos em objetos variados que não primeira vez que são atingidos são adicionados a uma lista, e se atingidos novamente são removidos. O objetivo é completar a lista em cada fase, e isto fica difícil muito rápido devido ao ritmo de movimento desses objetos. Ele teve um lançamento tardio porque o desenvolvedor na época parece ter entendido que o jogo era ofensivo, porque a cada fase vencida o personagem podia levar uma garota a um hotel. Escandaloso, não? O jogo parece raso mas é estranhamente envolvente, portanto divertido.

Juno First fecha os lançamentos de Atari 2600 com chave de ouro.

Anos mais tarde em 2008, foi lançado o jogo Actionauts, o qual não joguei por não ter conseguido encontrar a rom na internet. Todavia, consegui jogar o último jogo lançado para o Atari 2600 até hoje (segundo a lista que segui desde o início da Jornada). Lançado em 2010, Juno First é uma adaptação do arcade Juno First da Konami  (de 1983) e foi lançado pelo notório grupo Atari Age - provavelmente a melhor fonte de tudo que é relacionado a Atari na internet. Também não joguei o original mas essa versão e Atari 2600 é fenomenal. Imaginem Beam Rider da Activision, mas absurdamente melhorado em todos os aspectos e temos Juno First, um dos melhores jogos do Atari 2600 lançado em pleno 2010 no auge da geração 360/PS3/Wii. E aqui terminamos todos os jogos já lançados para o Atari 2600 até os dias de hoje (pelo menos segundo a lista que segui desde a primeira edição), finalizando uma Jornada Épica... A Jornada Atari 2600. Mas acabou?

Destaques: Klax, Acid Drop, Juno First.
Piores momentos: Ghostbusters II, Fatal Run, Xenophobe.